sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Homossexualismo por Arnaldo Jabor

"Antigamente o homossexualismo era proibido no Brasil. Depois passou a ser toleado. Hoje é aceito como coisa normal. Eu vou-me embora antes que passe a ser obrigatório". Arnaldo Jabor.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Assistente Social x Garota de programa

Não sou de assistir novela, mas o burburinho já ganhou tanta expressão que até eu, que estou a mais de um mês trancada em casa, já fiquei sabendo! Na novela da Record Chamas da Vida há uma personagem que concilia sua função de Assistente Social em um abrigo para menores infratores com a de garota de programa.
Não sei por que essa questão vem mobilizando a categoria de tal forma. Fala-se em monção de desagravo, que o sindicato se posicione a respeito, que o comportamento da tal personagem pode fazer com que o senso comum associe a imagem de assistente social à prostituição, como acontecia a bem pouco tempo com as enfermeiras. Aliás, a título de informações, o COREn- RJ impetrou uma Ação contra uma rede de TV que exibiu uma "enfermeira em cenas eróticas". A Vara Federal do Rio reconheceu a matéria como título a liberdade de expressão e não deu ganho de causa ao impetrante.
Sinceramente, não entendo o motivo pelo qual a categoria profissional ficou tão ofendida. Se essa revolta toda for por conta de uma atuação distorcida da profissão, como, por exemplo, o fato de a profissional ter levado um dos menores para sua casa, tudo bem, mas pelo fato de ela ser garota de programa, e daí?
Devemos sim fazer zelar pela nossa PROFISSÃO. Devemos lutar contra o assistencialismo, contra as péssimas condições de trabalho a que somos submetidas, contra os baixos salários que somos sujeitadas a aceitar, contra a carga horária de 40 horas semanais que temos que cumprir, contra as intervenções de outras categorias em nosso fazer profissional e contra muitas outras coisas que perpassam o nosso dia a dia enquanto profissional.
Como as novelas retratam nosso cotidiano, logo, são formadoras de opinião, não ficarei nada chocada se começarem a associar o serviço social à putaria, denegrindo ainda mais nossa imagem profissional. Existem coisas que me chocam muito mais e, em muitas delas, a categoria não se mobiliza de tal forma.
Com os baixos salários que nos são pagos, daqui a uns dias estaremos todas nós trabalhando como profissional do sexo para complementarmos nossa renda. Você duvida disso? Eu não. Quem sabe a associação assistente social - garota de programa até faça algum sentido: estarmos acostumadas a sermos fodidas!

Tudo o que hoje preciso realmente saber, aprendi no jandim de infância

Tudo o que hoje preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo dia.
Estas são as coisas que aprendi lá:
1. Compartilhe tudo.
2. Jogue dentro das regras.
3. Não bata nos outros.
4. Coloque as coisas de volta onde pegou.
5. Arrume a sua bagunça.
6. Não pegue as coisas dos outros.
7. Peça desculpas quando machucar alguém.
8. Lave as mãos antes de comer e reze antes de deitar.
9. Dê descarga.
10. Biscoitos quentinhos e leite fazem bem para você.
11. Respeite o outro.
12. Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco... e desenhe.. e pinte... e cante... e dance... e brinque... e trabalhe um pouco todos os dias.
13. Tire uma soneca às tardes.
14. Quando sair, cuidado com os carros.
15. Dê a mão e fique junto.
16. Repare nas maravilhas da vida.
17. O peixinho dourado, o hamster, o camundongo branco e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem... nós também.
NOTE: Pegue qualquer um desses itens, coloque-os em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo ou ao seu mundo e verá como ele é verdadeiro, claro e firme. Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos e leite todos os dias por volta das três da tarde e pudéssemos nos deitar com um cobertorzinho para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem como regra básica devolver as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair.Estas são verdades, não importa a idade.Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Uma questão de prioridade

Uma senhora bem idosa estava no convés de um navio de cruzeiro segurando seu chapéu firmemente com as duas mãos para não ser levado pelo vento.

Um cavalheiro se aproxima e diz:
- Me perdoe, senhora...não pretendo incomodar, mas a senhora já notou que o vento está levantando bem alto o seu vestido?

- Já, sim, mas é que eu preciso de ambas as mãos para segurar o chapéu.

- Mas, senhora.... a senhora deve saber que suas partes íntimas estão sendo expostas! - disse o cavalheiro.

A senhora olhou para baixo, depois para cima e respondeu:

- Cavalheiro, qualquer coisa que o Sr. esteja vendo aqui em baixo tem 85 anos.
O chapéu eu comprei ontem.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Hoje fiquem com um texto de Clarice, que como sempre, fala por mim...

"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E, a saber, que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias de água potável. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana. E se com a pessoa que a gente ama, à noite ou no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não ralar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta e se gasta de tanto se acostumar e se perde em si mesma.”

Clarice Lispector

domingo, 31 de agosto de 2008

Ser feliz é uma decisão


Uma senhora de 92 anos, delicada, bem vestida, com o cabelo bem penteado e um semblante calmo, precisou se mudar para uma casa de repouso. Seu marido havia falecido recentemente e a mudança se fez necessária, pois ela era deficiente visual e não havia quem pudesse ampará-la em seu lar. Uma neta dedicada a acompanhou. Após algum tempo aguardando pacientemente na sala de espera, a enfermeira veio avisá-las que o quarto estava pronto. Enquanto caminhavam, lentamente, até o elevador, a neta, que já havia vistoriado os aposentos, fez-lhe uma descrição visual de seu pequeno quarto, incluindo as flores na cortina da janela. A senhora sorriu docemente e disse com entusiasmo: Eu adorei! Mas a senhora nem viu o quarto... Observou a enfermeira. Ela não a deixou continuar e acrescentou: A felicidade é algo que você decide antes da hora. Se eu vou gostar do meu quarto ou não, não depende de como os móveis estão arranjados e sim de como eu os arranjo em minha mente. E eu já me decidi gostar dele... E continuou: é uma decisão que tomo a cada manhã quando acordo. Eu tenho uma escolha, posso passar o dia na cama remoendo as dificuldades que tenho com as partes de meu corpo que não funcionam há muito tempo ou posso sair da cama e ser grata por mais esse dia. Cada dia é um presente e meus olhos se abrem para o novo dia das memórias felizes que armazenei... A velhice é como uma conta no banco, minha filha... De onde você só retira o que colocou antes.


Ou seja, decida ser feliz, ainda que seja uma felicidade que só você pode sentir. E lembre-se sempre: a felicidade não depende de como as coisas estão arranjadas, mas de como você as arranja na sua mente.